Na noite desta segunda-feira (23), a Câmara Municipal de Andradina sediou uma audiência pública que debateu a possível reimplantação da Área Azul, medida voltada à organização do fluxo de veículos e à melhoria do acesso ao centro comercial da cidade.
O encontro, marcado pela ACIA (Associação Comercial e Industrial de Andradina), contou com a participação de comerciantes, dos vereadores Guilherme Pugliese (presidente da Câmara Municipal), Alan Marcelino, Edgar Dourado, Elaine Vogel, Professor Klebinho, Leila Rodrigues e Eloá Pessoa, do secretário de Governo Ernesto Júnior, o secretário de Obras Geraldo Pilla, do presidente da ACIA, Sérgio Ruella, e de representantes da sociedade civil.
O principal objetivo foi discutir alternativas para amenizar a falta de vagas de estacionamento, considerada um problema recorrente na região central.
Durante a audiência, foram apresentados os prós e os contras da Zona Azul e discutidas propostas que vão além da simples cobrança pelo uso das vagas.
Representando o Governo Municipal, Ernesto Júnior ponderou que a volta da Zona Azul é a última opção a ser adotada pela cidade, argumentando que, diante do fechamento de 48 vagas pela implantação da Paes Leme Mall Street, a atual administração já abriu 210 novas vagas de estacionamento no centro, considerando a área margeada pela linha férrea, o uso múltiplo da Praça Moura Andrade, dentre outros locais.
“O grande problema da falta de vagas para estacionar no período comercial em Andradina tem vários fatores envolvidos e, para isso, precisamos pensar em saídas de conscientização e de urbanismo, e não jogar uma nova ‘conta’ para ser paga pelo cidadão”, afirmou Ernesto Júnior, salientando que esta é uma política adotada pelo prefeito Mário Celso de não sacrificar o bolso do andradinense.
A efeito de explanação, Ernesto apresentou números sobre um ano de Zona Azul, no exercício de 2019, quando a empresa responsável pela administração do sistema faturou mais de R$ 1,2 milhão, enquanto o município recebeu pouco mais de R$ 150 mil para investir no trânsito. “Era uma empresa de fora, o que significa que esse R$ 1,2 milhão deixou de ser gasto em nosso comércio para ser levado para fora da cidade, e o que ficou para a Prefeitura era insuficiente até para recuperar o asfalto da área de Zona Azul. O cidadão andradinense não pode pagar mais essa conta, nem nosso comércio perder esse dinheiro, enquanto houver outras saídas”, afirmou Ernesto.
Outro ponto levantado quanto à falta de vagas foi que grande parte dos estacionamentos existentes é ocupada por lojistas e funcionários de lojas do centro. “Temos a informação de que algumas empresas da cidade, as que possuem estacionamentos próprios, como supermercados, têm um acordo para que os funcionários não utilizem as vagas destinadas aos clientes. Foi uma questão de entendimento que funciona, já que a atividade de venda é que mantém o faturamento do comércio e os empregos que ele gera”, disse.
Propostas
Entre as sugestões debatidas estão a criação de novos espaços para estacionamento, a implantação de vagas de “curta duração” — com permanência máxima de 30 minutos — e a reorganização das áreas já existentes no quadrilátero central, buscando maior eficiência na rotatividade de veículos. A prefeitura já se comprometeu com a abertura de novas vagas na Rua Manoel Teixeira de Freitas, no sentido do viaduto da J. A. de Carvalho, além de organizar as vagas na Praça Moura Andrade e desenvolver o estudo para implantação de vagas a 45 graus em alguns pontos.
A discussão também destacou que o tema ultrapassa os limites do município. Andradina é referência regional em comércio, lazer e serviços, recebendo diariamente visitantes de cidades vizinhas. Por isso, mudanças no sistema de estacionamento podem impactar diretamente a experiência de consumidores e turistas que frequentam o centro.
“A participação da população é fundamental nesse processo, já que as decisões futuras poderão influenciar diretamente a mobilidade urbana e o desenvolvimento econômico local”, destacou Ernesto Júnior.