Sistema do Estado define para onde o paciente vai, com base em avaliação médica e não por decisão da cidade
Quando um paciente precisa de um atendimento mais complexo, como uma vaga em UTI ou uma cirurgia especializada, é a CROSS, do SUS no Estado de São Paulo, que entra em ação para organizar a transferência.
Muita gente pensa que existe uma fila simples ou que a decisão depende da prefeitura ou do hospital, mas não é assim que funciona. A CROSS atua como uma central do Estado que analisa cada caso e define, com base em critérios médicos, qual paciente deve ser atendido primeiro e para onde ele será encaminhado.
De acordo com o médico e diretor técnico da Santa Casa de Andradina, Raphael Marques Pugliese, o sistema não segue ordem de chegada. “Não é uma fila comum. É uma análise médica. O município informa o caso, e a CROSS avalia onde tem vaga e quem precisa mais naquele momento”, explicou.
Como começa o pedido
Tudo começa no hospital ou na UPA onde o paciente está. Se o médico percebe que ali não tem estrutura para aquele atendimento, ele faz a avaliação e classifica a gravidade do caso.
Depois disso, a equipe lança as informações no sistema do Estado, com todos os dados do paciente. A partir daí, o caso passa a ser responsabilidade da CROSS.
Quem decide é o Estado
Os pedidos são avaliados por médicos reguladores que trabalham 24 horas por dia. São eles que analisam cada situação e definem a prioridade.
Segundo Pugliese, essa é uma das partes mais importantes de entender. “Não é a prefeitura nem o hospital que escolhe para onde o paciente vai ou quando ele será transferido. Essa decisão é dos médicos da CROSS”, afirmou.
Enquanto o paciente aguarda, o hospital precisa atualizar o sistema sempre que houver mudança no quadro de saúde. Isso ajuda na reavaliação e pode até mudar a prioridade.
Para onde o paciente vai
Depois da análise, a CROSS procura uma vaga disponível. Primeiro, tenta na própria região. Mas, se não tiver leito — principalmente de UTI —, o paciente pode ser levado para outras cidades ou até para a Grande São Paulo.
O tempo de espera varia bastante. Em muitos casos, depende da liberação de vagas, o que acontece quando outro paciente recebe alta.
“O sistema funciona o tempo todo. A vaga aparece conforme vai liberando espaço na rede. Não dá para cravar um tempo exato”, explicou o médico.
Quem está mais grave vai primeiro
O principal critério da CROSS é a gravidade. Ou seja, quem está em pior estado passa na frente, mesmo que outras pessoas estejam esperando há mais tempo.
Esse modelo ajuda a usar melhor as vagas disponíveis e garante que os casos mais urgentes sejam atendidos primeiro.
Para o diretor da Santa Casa, entender isso faz diferença. “Às vezes a população acha que é demora ou falta de ação, mas existe todo um sistema técnico trabalhando para salvar vidas e atender quem mais precisa primeiro”, concluiu.